Como nunca he tenido máquina de fotos, confieso que casi ninguna de las fotos de este blog es mía, todas las he sacado de la güé.



martes, 17 de marzo de 2015

Fernando Pessoa, Livro do Desassossego

Pessoa, Fernando, Livro do Desassossego (Tinta da China, Lisboa: 2014)
Desistí hace ya años de hacerme con un ejemplar del Livro do Desassossego en la tradicional edición de Ática en la que tengo otras obras de Pessoa y de sus heterónimos. Por eso, en mi último viaje a Portugal durante este febrero pasado, me decidí por esta edición, muy correcta y llena de notas textuales de Jerónimo Pizarro.
Lo primero que cabe decir es que estamos ante el Pessoa auténtico que tanto sabe hablar de un plato de callos como de una grúa o de lo que ve un pastor mientras cuida el ganado. Accederemos por apartados:


  • Nos da una explicación de lo que pretende ser el libro: Nestas impressões sem nexo, nem desejo de nexo, narro indifferentemente a minha autobiographia sem factos, a minha historia sem vida. São as minhas Confissões, e, se em ellas nada digo, é que nada tenho que dizer (283). Y vuelve a lo mismo más tarde llamando a su texto o meu livro de impressões (361).
  • Nos regala con sus típicas ocurrencias que van desde lo lingüístico hasta lo conceptual: como ejemplo de lo segundo, el imponente Cheguei a Lisboa mas não a uma conclussão (378) al bajar del tren tras volver de un recado al que le habían enviado en Cascaes; o bien, y también recordando algún motivo de su obra lírica: Bem sei que ha ilhas ao Sul, e grandes paixões cosmopolitas (436); o, también con cópula caótica y recordando el Me duele España unamuniano: Doem-me a cabeça e o universo (458). Y como ejemplo de lo primero, pero también de lo segundo, una frase en el prefacio por la que describe a alguien que suele comer en el mismo sitio que él: um certo ar de intelligencia animava de certo modo incerto as suas feições (34); o bien: Naturalmente constituido para a ambição, gozava lentamente o não ter ambições nenhumas (35). Otros ejemplos: Querer ir morrer a Pekim e não poder é das cousas que pesam sobre mim como a ideia d'um cataclysmo proximo (52); Quem desse a sua vida a construir uma estrada começando no meio de um campo e indo ter ao meio de un outro (71); O triumpho supremo de un artista é quando a ler suas obras o leitor prefere te-las e não as ler (104; y que recuerda aquel poema del Pessoa ortónimo que, citado de memoria y traducido al albur, viene a decir lo de qué gran placer, tener un libro y no leer); Um poente é um fenomeno intellectual (170); Navegar é preciso, viver não é preciso (188); Pela bocca morre o peixe e Oscar Wilde (196).
  • Tiene grandes destellos líricos que remiten a su obra poética: As tuas mãos são pombas presas. Os teus labios são rolas mudas... Tu es toda alada, toda (41). Y remite a uno de sus heterónimos: aquellas phrases simples de Caeiro, na referencia natural ao que resulta so pequeno tamanho da sua aldeia. D'alli, diz elle, porque é pequena, pode ver-se mais do mundo do que da cidade, e por isso a aldeia é maior que a cidade (295).
  • Trata del sueño en su relación con la realidad desde perspectivas ya conocidas como el mito de la caverna o, mejor, La vida es sueño: Verdadeiramente, não sei como distinguir uma coisa da outra, nem ouso affirmar se não durmo quando estou disperto, se não estou a dispertar quando durmo (462): . Y va más allá: E sei eu se não sou eu o sonho e tu a realidade, eu um sonho teu e não tu um Sonho que eu sonhe? (44). Y también el siguiente momento, que nos recuerda Niebla de Unamuno: Às vezes... vem até à minha suposição uma sensação estranha de duvida; não sei se existo, sinto possivel o ser um sonho de outrem, affigura-se-me quasi carnalmente, que poderei ser personagem de uma novella (421). O este otro, que me recuerda la aguda reflexión oída hace al menos veinte años a un conocido cervantista sobre que la realidad no es más que una alucinación producida por la falta de alcohol: esse episodio da imaginação a que chamamos a realidade (451). Por fin, rompe el tópico de la equivalencia entre el sueño y la muerte: A morte, disse, não se assemelha ao somno pois no somno se está vivo e dormindo; nem sei como póde alguem asemelhar a morte a qualquer coisa, pois não póde ter experiencia d'ella, uma coisa com que comparar (486).
  • Presenta, por supuesto, el tema del dolor: Ao pé da m[inha] dôr todas as outras dores me parecem falsas o minimas. São dores de gente feliz ou dores de gente que vive e se queixa (60). Y de la saudade en términos parecidos a lo que le conocemos en lírica: Tenho saudades da hypothese de poder ter um dia saudades, e ainda assim absurdas (344). O también: Saudades! Tenho-as até do que me não foi nada, por uma angustia da fuga do tempo e uma doença do mysterio da vida (511).
  • Es contradictoria su relación con la gramática: -Leu alguma vez uma grammatica? / -Eu nunca. Tive sempre uma aversão profunda a saber como se dizem as cousas. A minha unica sympatia, nas grammaticas ia pra as excepções e pra os pleonasmos (91). Y luego, al tratar sobre la afición al ocultismo: Offende-me o entendimento que um homem seja capaz de dominar o Diabo e não seja capaz de dominar a lingua portugueza (442).
  • Nos regala una buena reflexión sobre la ironía: O homem superior difere do homem inferior, e dos animais irmãos dêste, pela simples qualidade da ironia. A ironia é o primeiro indicio de que a consciência se tornou consciente (411).
  • Es divertida su reflexión avant la lettre sobre topicazos actuales: Nada me pesa tanto no desgosto como as palavras sociaes de moral. Já a palavra "dever" é para mim desagradavel como um intruso. Mas os termos "dever civico", "solidariedade", "humanitarismo", e outros da mesma estirpe, repugnam-me como porcarias que despejassem sobre mim de janellas (439).
  • Hace pensar, en algunos momentos, en La utilidad de lo inútil de Nuccio Ordine: E porque este livro é absurdo, eu o amo; porque é inutil, eu o quero dar; e porque de nada serve querer t'o dar, eu t'o dou (55). Y también: A belleza das ruinas?  O não servirem já pra nada (71).
En resumidas cuentas, esta obra en prosa y dividida en pequeños apartados en principio inconexos entre sí, contiene muchos elementos en común con la lírica del autor y, por tanto, toca sus principales preocupaciones. Ahora bien, es necesario leerla despacio y en pequeñas dosis para poder penetrarla.

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